Raimundo Eufrásio
A árdua subida por caminhos pedregosos e muito íngremes não era novidade para o velho cearense marchante, na década de 60. Conhecedor de muitas trilhas nas serras ao redor de Fortaleza, naquele dia o vendedor estava deslumbrado. A diferença era o chão molhado da chuva que havia caído na noite passada. Geralmente, ali era seco, sem verde, o sol a pino. Num dia molhado, a paisagem dava brilho nos olhos. Depois da chuva, um córrego aparecera ao lado da trilha de acesso a comunidade de Serra Branca, por onde o velho passava, puxado pelo jumento de carga. Levava todo tipo de mercadoria e vendia fiado aos nativos de vida pacata daqueles fins de mundo.
Foi assim que imaginei a figura de meu avô materno, Raimundo Eufrásio, enquanto subia o mesmo serrote por onde ele por várias vezes passou. Estávamos eu, meu pai e tio João, caminhando por aquela comunidade, um dia após uma noite de chuva. Embalado pelas histórias narradas por meu tio, imaginei Raimundo Eufrásio andando por ali em seus tempos de melhor saúde e força. Conhecido por toda gente da serra, ajudava quem tinha dificuldade pra pagar as parcelas. Minha imaginação voava enquanto perdia o fôlego na dura subida. Havíamos deixado o carro perto de uma pedreira em Caucaia, e estávamos perambulando num domingo de manhã. Queríamos fotografar o lugar e chegar num casarão antigo construído lá no alto, o mesmo casarão que havíamos identificado de binóculo do terraço de um prédio no Conjunto Ceará. A forma como meu tio descrevia o velho Eufrásio tornava meu avô um herói, o personagem principal de um faroeste caboclo onde aquelas pessoas esquecidas eram os protagonistas, e a trilha sonora um sanfoneiro de pé de serra tocando um fole de oito baixos. Meu avô, Raimundo Eufrásio, vendia carne de sol, temperos, pavios de lamparinas e todo tipo de burundangas. Era assim que ele ganhava a vida. Andando pelo mundo sem parar em casa. Longe da família e perto da gente sofrida do sertão.
Na verdade, lembro da figura do meu avô bem antes daquele dia. Quando eu tinha cinco anos ele sempre nos visitava. Lembro dele chegando cedinho no portão com um saco grande nas costas, a barba mal feita e o rosto desgastado de quem muito penou na vida para ganhar o pão. Ele me chamava de 'Coronel'. “Oh, meu coronel, como é que o senhor tá”, me cumprimentava. Imagino que eu era um menino muito curioso e perguntador. E talvez, ao vê-lo chegar, já corria para o portão pra recebê-lo e lhe fazer uma sabatina: “o senhor tá vindo de onde? o que é que tem aí nesse saco? veio fazer o que? já comeu goiaba hoje?” Então ele sorria e ficava orgulhoso de ver o neto falante e bisbilhoteiro: “Oh, meu coronel, o senhor quer saber eu digo tudo”.
São lembranças vagas que tenho do meu avô, o único que lembro. O outro avô, por parte de pai, falecera muito antes de eu nascer. Então a única imagem que tenho dessa figura de avô, é a do seu Raimundo Eufrásio, o pai da minha mãe Mirany. Por ele ser tão humilde e gente boa, ele me tratava muito bem. Tanto que até me concedeu essa patente alta, de coronel. Eu com apenas 5 anos de idade e já promovido a coronel? Mas o que eu não sabia, e que depois descobri, é que ele era um ser humano generoso mesmo. Que não tinha tempo ruim pra ele. Não era mesquinho, nem ranzinza, nem avarento. Ele era um fanfarrão que gostava de fartura e de alegria. Depois me falaram que ele, após chegar das longas viagens, fazia aquela festa, não faltava nada. Era rapadura, carne seca e farinha pra todo mundo, sem pena. Muitos anos depois, eu aborrecido com algumas desavenças familiares passei a me proclamar único neto sangue puro de seu Raimundo Eufrásio. Eu devo ter herdado daquele senhor gente boa alguns traços que não encontro tão fácil em outras pessoas. Talvez, se o tivesse conhecido, eu teria me desiludido. Mas como não conheci ficou essa esperança.
Um dia ele ficou doente, foi internado e nunca mais eu o vi. Minha mãe sempre me levava no hospital. Mas eu nunca o via. Quando voltávamos, ela estava chorando, e muito triste. Lembro que eu não entrava no hospital, ficava numa espécie de jardim lá fora. O lugar era escuro e silencioso com luzes lá longe. Fazia um frio estranho e, eu apesar de sempre gostar de sair de casa, não gostava de ir lá. Não entendia muito o que estava acontecendo e ficava triste porque eu nunca via meu avô, aquele senhor que me elevava tanta a auto-estima me chamando de coronel. Quando ele morreu, eu lembro de tudo. O céu estava azul e com pequenas nuvens espaças. As nuvens formavam círculos uniformemente separados. Parecia uma cidade no céu, parecia um Conjunto Ceará feito de nuvens. Eu lembro porque, naquele dia fiquei olhando pra cima e pensando que toda vez que alguém morria, o céu ficava daquele jeito. Igual a uma cidade, que era pra onde as pessoas iam depois de morrer.
A casa estava cheia. Pra mim era uma festa. Mas meu avô silenciara e eu nunca mais ouviria alguém me chamando de coronel, nem chamaria nunca mais ninguém de vô. Até hoje tenho saudades dele, daquela figura carinhosa que, tenho certeza, me deixou uma herança muito valiosa, e que trago dentro de mim até hoje: Eu sou o neto legítimo do 'seu' Raimundo Eufrásio. Com muita honra.

Falando de trabalho
O melhor emprego do mundo é assim: dormir mau, comer comida ruim, respirar poeira de caminhão, sol na cara, ouvir grosseirias da piãozada, contrair todo tipo de gripe que vem do meio do mundo, conferir e carimbar centenas de notas fiscais em 24 horas de serviço. É muita emoção. No final do mês cê olha pro salário e pensa: quem aluga os fundos não escolhe onde quer sentar.
Trinta e uns
Daqui a 40 dias vou completar 39 anos. Uma idade que pra mim já quer dizer início de outra fase, com seus traumas e complexos afins. Dessa forma quando chegar setembro de 2010, acho que já não terei de passar mais por crise dos 40 ou seja lá qual for o nome da tal. Estou passando agora antecipadamente. É bom porque se eu fosse do tipo que diz tenho uns trinta a poucos, me sobraria apenas mais um ano para tal dissimulação, mas a verdade é que já passei pela quarta década de minha vida, e tenho convicção nesse momento de que já estou a viver a quinta. Passo a viver então a década que desaguará em meio século de rastros, gritos, suspiros, desesperos, alegrias, dores, fome, raiva, e por aí vai. De sorte que hoje pela manhã voltei a pensar mais uma vez sobre o velho tema: qual o sentido da vida? Será que é apenas encontrar alguém, uma companheira? Será que é apenas a sobrevivência, um bom emprego? Filhos lindos e inteligentes? Uma casa grande e muitos amigos? Ou uma estrada sem fim, uma vida de aventuras? Será entregar-se a uma causa e morrer crucificado? Será ficar sozinho melancólico e escrever livros que transformem a humanidade? Foi só perguntar e resposta veio ainda no chuveiro. Deus criou a tudo que é vivo para simplesmente viver no sentido amplo da palavra. “Eu vim para que todos tenham vida, para que todos tenham vida em abundância”. Nada que é vivo foi criado para morrer. A morte é só uma consequência da matéria. Devemos estar e querer estar vivos até o fim. E vida é alegria, é força, é felicidade. A vida em seu sentido pleno transforma as coisas, agrupa, revoluciona, ama, perdoa, ensina, cria, ferve, grita com sede de mais vida, canta, planta, escreve, lê, descobre, tudo de mais pleno e vigoroso que há no universo é a vida. Viver é querer estar vivo e transformar, interagir, agir, reagir, vencer (não vercer por vencer), vencer pela vida.
Sonhos de consumo
DVD ao vivo, Vanessa da Mata

Novo livro do Chico Buarque
Leite Derramado

CD imperdível da Nara Caymmi
"Sem Poupar Coração"
... Onde você estiver não se esqueça de mim...
Aguenta coração velho de guerra!

"Sem cultura moral não haverá nenhuma saída para os homens" Albert Einstein (1879-1955)
Estive tão bem nos últimos meses, concentrado nos projetos e tarefas novas (os dias estão bem melhores) que nem vi o tempo passar. A última vez que postei aqui foi em janeiro, ainda na ressaca do período de transição do ano novo (nesses momentos escrever alivia, depois passa e não se escreve nada). Algumas vezes quase abri o editor para postar. Não deu certo. Agora sim! Deu vontade e estou com um pouco de tempo (Ôh! cabra ocupado! Pense!). Então vamos lá:
Cruzeiro do Sul continua igual. Tudo sempre novo! A última é: o rio Juruá vai secar, a estrada não vai abrir e vai faltar coca-cola. Eu por mim não vou sentir falta da nada. Preciso somente de farinha, açaí e tambaqui de rio (pense num cabouco do mato). Hoje cedo no rádio a manchete principal foi: Pescador que perdeu a perereca procura por ela ao vivo aqui na rádio. Boa, não! Assisti só pra ouvir o cara. Ele tinha bebido dois litros de álcool puro da tampinha azul e não lembrava onde enfiou a perereca. Quando acordou a melhor idéia que teve foi ir para a “rádia”. Quase que eu vou lá fazer uma “fota” dele (coisa linda!).
Pois é! Não tenho mesmo tempo pra nada no final de semana. Dois trabalhos da pós-graduação por fazer, exercícios de gramática e vocabulário do curso de inglês, muita roupa suja pra lavar, além da louça e dos banheiros, os papéis e livros todos espalhados (deu pra perceber que eu não tenho secretária?). Isso fora as coisas que pretendo fazer e que não são necessariamente obrigações. Melhor assim, muito atarefado, do que ócio e crise existencial (na verdade bom mesmo seria namorar o fim de semana todo). Mas tudo bem, em 30 dias entro de férias e aí só vou querer saber de camarão e água mineral (sem cachaça, por favor!). Uuuufffa! Chega, vou trabalhar!

Um evento digno de atenção vai encerrar 2008 com uma bela paisagem. Neste dia 31, teremos mais uma conjunção de Vênus e da Lua. Desta vez, porém, não será tão impressionante quanto a conjunção que vimos no começo de dezembro. No final da tarde, procure pela Lua crescente, na direção do pôr-do-sol, ao oeste. Se o tempo deixar, você encontrará fácil Vênus bem brilhante ao seu lado.
Nessa mesma cena é possível vislumbrar outra conjunção acontecendo: Júpiter se "encontra" com Mercúrio mais próximo do horizonte. Essa conjunção é mais difícil de observar, primeiro porque os dois planetas estão muito baixos no céu. Em segundo lugar, porque Mercúrio é bem fraquinho, apenas em locais bem escuros ele pode ser visto.
Duas conjunções fechando 2008. A da Lua-Vênus e a desafiadora Júpiter-Mercúrio. Achar Júpiter vai ser fácil, ele está tão brilhante quanto Vênus, o desafio vai ser enxergar
Mercúrio.
Não custa nada tentar!
do blog observatorio - http://colunas.g1.com.br/observatoriog1/
Desde garoto escuto música estilo 'melancólica-introspectiva'.
E escutava sem medo da tristeza. Colocava no som a mesma faixa várias vezes e me deliciava com melodias puras, criativas e belas.
Independente do conteúdo da letra, a música triste, lenta, profunda, é algo belo, considerando o universo conceitual das artes.
Agora, o engraçado foi que ontem, olhei pros discos todos, procurei as mesmas músicas e não consegui ser mais aquele garoto forte que ouvia música triste com ouvido aberto e em paz.
Me deu um medo de pôr Nana Caymmi, Rosa Pasos, Djavan, e outras musicas que sempre curti simplesmente pela beleza, mesmo que estivesse meio abandonado, a música era minha companhia.
Neste final de ano, parece que minha melancolia acovardou-se mesmo de vez. O pior, estou meloso, triste, angustiado e sem música, pela primeira vez na vida.
Parece piada. É melhor rir pra não chorar.
Estou ficando velho e chato.
Vou ouvir então algo alegre, anti-depressivo. Quem sabe Amy winehouse e os discos de jazz.
Até janeiro chegar vou respirar fundo e ver a vida ficando pra trás.
Quem sabe com novoa ares de 2009, apareça um disco bom de se ouvir sem medo de ser triste e só!
Do Ceará para o ITA
De um grupo de escolas de Fortaleza
saem todo ano alguns dos melhores
alunos em ciências exatas do país

Em um pequeno conjunto de escolas no Ceará, os estudantes parecem se divertir aprendendo, tamanho é o seu entusiasmo em dissecar plantas, participar de campeonatos de matemática e varar madrugadas no laboratório. Pergunte a esses jovens o que eles mais ambicionam na vida, e a resposta será algo como "me tornar um bom cientista, claro". Tamanho apreço por matemática, química, física já chamaria atenção pelo fato de ser raro nas escolas brasileiras. O que surpreende ainda mais no caso desses estudantes é saber que, em meio a milhões de outros no país, eles estão entre os melhores em tais disciplinas. O desempenho exemplar em exatas é difícil de ver no Brasil – mais ainda no Ceará, onde as notas costumam ficar abaixo da média brasileira. O animado grupo de aspirantes a cientista é, portanto, responsável por dois feitos improváveis. Um deles foi ter alçado o Ceará à condição de estado com o maior índice de aprovações nos últimos cinco vestibulares do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), um dos mais concorridos do país. Entre os calouros, cerca de 30% sempre são cearenses. A posição de destaque se verifica também em outro levantamento recente, este com base nas olimpíadas nacionais de física, química e matemática. Dos 670 alunos que receberam medalhas em diferentes competições, 260 eram do Ceará. Nada menos que 40% dos campeões. A que se deve o inesperado sucesso cearense na área de exatas? A um grupo de escolas particulares de Fortaleza que, juntas, reúnem 25 000 estudantes dos ensinos fundamental e médio. Quando a primeira delas começou a focar o ensino das ciências, vinte anos atrás, foi sendo copiada pelas outras – que se viram na necessidade de mirar essas disciplinas para sobreviver à disputa por alunos. Os números mostram, agora, que a fórmula aplicada nessas escolas funciona. Não é exatamente original, mas tem o mérito de reunir algumas das medidas de eficiência comprovada em países como Finlândia e Coréia do Sul, os melhores do mundo em educação. Um dos pontos comuns entre as escolas coreanas ou finlandesas e estas cearenses é a carga horária puxada reservada às disciplinas exatas – 25% maior do que a média brasileira. A jornada de estudos é de sete horas, mas, entre aulas extras de xadrez e ("emocionantes") gincanas de matemática, os estudantes ficam ali por mais de doze. Nas escolas em que prevalecem o espírito de competição e a meritocracia, os melhores da turma são alçados às prestigiadas "classes olímpicas". Algo que move alunos como Guilherme Freire, 18 anos, do colégio Farias Brito: "Eu e meus colegas podemos passar o dia inteiro resolvendo um único problema de matemática. E isso é diversão, jamais sofrimento".
O ambiente nessas escolas destoa também pelo alto nível dos professores e dos diretores: 60% são mestres ou Ph.Ds. numa ciência exata. É o caso do engenheiro Henrique Soárez, com mestrado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, hoje no comando da escola 7 de Setembro: "O ponto central aqui é que os professores se prepararam para desempenhar a função". Um contraste em relação ao que ocorre na maioria das escolas brasileiras. Nas públicas, impressiona o fato de 70% dos professores jamais terem estudado para ensinar tais disciplinas. Diante desse cenário, não espanta que, às vésperas da faculdade, os brasileiros (incluindo os de colégio particular) desconheçam a função dos órgãos do corpo humano e demonstrem perplexidade com o fato de a Terra girar em torno do Sol. Isso é o que mostra um estudo conduzido pela OCDE (organização dos países mais desenvolvidos), que produz os rankings internacionais de ensino – aqueles em que o Brasil aparece, sempre, entre os últimos. Diz o especialista Gustavo Ioschpe: "O desempenho ruim dos alunos brasileiros tem relação direta com o péssimo nível dos professores".
Bons profissionais, por sua vez, conseguem algo que merece atenção no caso cearense – feito resumido em poucas palavras pela estudante Jéssica Fernandes, 18 anos: "Sabe o que é contar os minutos para uma aula começar?". A moça e seus colegas desfilam camisetas com os dizeres "Just do ITA" (Só faça ITA) e justificam as olheiras citando as noites insones no laboratório. As aulas práticas, cujo cenário são salas bem equipadas, também ajudam a explicar o sucesso do modelo cearense. Básico, mas raro no Brasil. "Os cearenses que chegam aqui sabem como aplicar o conhecimento científico ao mundo real", avalia o coordenador do vestibular do ITA, Luiz Carlos Rossato. Para passar num concurso tão difícil, os estudantes estão sujeitos a privações e muitas exigências escolares, entre elas resolver equações que consomem horas e horas da vida de gente como o cearense Tarcísio Neto, 19 anos, aprovado no ITA aos 16: "Para me tornar um bom engenheiro, vale o esforço". O entusiasmo dele e dos outros é mais um sinal de que se está, sem dúvida, diante de um bom exemplo.
Reportagem publicada
revista Veja (edição: 19 de novembro)
A imaginação
não é matéria
A imaginação
não é mentira
A imaginação
é a verdade!
A paixão e o pensamento
Nos últimos dias pensei muito. Quer dizer, antes, desses últimos dias atrás, eu não pensei em nada, tinha me perdido no cosmos, sem cérebro, sem alma. Mas quando iniciou os últimos dias atrás (que falei na primeira frase), acho que era domingo, comecei a pensar, pensar muito, refletir. Pensei tanto que não conseguia nem dormir. Pensava na cama, pensava na mesa, pensava na cadeira de balanço.
Pensar é a atitude mais humana que há. Somos humanos porque pensamos. Ninguém fica sem pensar. Só se fugir pro cosmos (mas isso não é legal). As vezes pensar é doloroso se não se consegue pensar em coisas boas. De qualquer forma pensar nunca é totalmente livre da dor. Principalmente se após algum tempo sem pensar, se retorna ao pensamento.
Então, como tinha estado dias sem pensar, o retorno foi sofrido, mas ao mesmo tempo proveitoso.
Há um ano, para eu pensar era uma maravilha de satisfação. Em compensação eu não estava aprendendo nada. Já em 2005, sofri tanto pensando que achei que nunca mais iria sentir aquilo em pensamento. Aquilo o quê? Aquilo que, posso enumerar aqui, já senti muitas outras vezes em minha vida, e passou.
Acho que a primeira vez foi com 8 ou 9 anos. O nome da moça era Jaqueline. Ela tinha mais de 15. Eu era uma criança, ela, uma mulher já formada, muito gostosa. Sempre que eu ia visitar minha vó, Jaqueline estava lá. Morava na casa ao lado. Brincava junto com a turma de crianças que eu também fazia parte. Nós nos dávamos muito bem e estávamos sempre juntos.
Lembro de um passeio de bicicleta a noitinha. Ela guiando, eu agarrado na cintura dela. Agarrava com tanta força que ela dizia “calma, Valbinho”. Naquele tempo a música que mais tocou foi uma da Rita Lee que o Roberto de Carvalho cantava, bem suave, romântica, frases melódicas que até hoje estão na minha cabeça.
Chegamos até a brincar de médico, mas nunca houve entre nós nada de sensual e erótico da forma adulta. Foi tudo mais platônico, mais pra mim do que pra ela.
De repente ela sumiu!
Foi morar na casa de uma tia. Pais separados, ela já havia morado no Rio de Janeiro e em outro bairros de Fortaleza. Quando esteve no Pici, onde morava minha Vó, me apaixonei pela primeira vez (acho que foi a primeira, ou talvez tenha sido uma professora, sei lá).
Só sei que de uma hora pra outra eu não podia mais ouvir aquela música do Roberto de Carvalho, não tinha mais vontade de brincar como antes, não tinha mais alegria nem consolo. Só pensava em estar com ela mais uma vez como antes. Procurava seu rosto por todos os cantos que passava. Se naquele tempo já existisse telefone celular ou Internet, ela tinha abusado de mim era logo mesmo.
Mas o tempo passou e ainda nos vimos por muitas vezes e nos divertimos bastante também. Até viajamos com todas as famílias juntas para o sertão, dormimos na serra. E tudo se acalmou. Ela logo já estava namorando e casou. Depois de alguns anos, encontrei com ela, que estava com o filho lindo nos braços. Sabe como era o nome dele? sabe? sabe? 'Válber'. Colocou em homenagem ao meu nome. Foi uma promessa que ela havia feito nos bons tempo de criança. Bons tempos! Bons tempos!! Ahhhh! Vou voltar a pensar!!!!!
Prêmio de US$ 1 milhão

Um matemático da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, disse ter comprovado a hipótese de Riemann, conhecida como o maior problema não-resolvido da matemática. A hipótese é sobre números primos e intrigou matemáticos por quase 150 anos. Agora, Louis De Branges de Bourcia apresentou um trabalho de 23 páginas na internet detalhando sua tentativa de provar a hipótese. Desde 2001, há uma recompensa de US$ 1 milhão para quem comprovar a hipótese.
"Eu convido outros matemáticos a examinar meu trabalho", disse Branges. Ele disse que vai submeter seu trabalho para publicação formal, mas, "por causa das circunstâncias", achou necessário "colocá-lo na internet imediatamente"
A hipótese de Riemann é uma hipótese matemática, publicada pela primeira vez em 1859 por Bernhard Riemann, que declara que os zeros não-triviais da função zeta de Riemann pertencem todos à "linha crítica":
Os zeros triviais da função zeta de Riemann são os inteiros negativos pares -2,-4,-6,...
A hipótese de Riemann sobre os números primos é de tal importância que tem intrigado os matemáticos há mais de 150 anos. A hipótese é um dos poucos problemas não resolvidos do programa de Hilbert e foi colocado como problema número 1 de Smale. É tão difícil que em 2000 o Clay Mathematics Institute ofereceu um prêmio de 1 milhão de dólares a quem prová-lo.
Como entender o sentido de letras complicadas -Açai (letra-Djavan)
Depois de que no mundo das artes o subjetivo (a interioridade do artista) ganhou espaço maior no conteúdo das obras, passamos o olhar sem espanto para quadros abstratos e indefiníveis, começamos a assistir filmes desconexos sem termos náusea, a ver montagens performáticas horríveis e aplaudir, exposições efêmeras cabeludas e ouvir letras de músicas livres de rimas e linearidade, sem revolta. Mas isso não quer dizer que obras modernas não fazem sentido algum. Também não quer dizer que a maioria das pessoas entende alguma coisa nesses modelos de arte moderna, contemporânea.
Para tentar colocar segurança na interpretação de algumas letras de música dessa linha, me designei a tarefa de escrever periodicamente aqui um post intitulado Decifrando Letras, sempre com autores diferentes. Para dar início ao empreendimento, passo a comentar Açai, a letra escrita em 1982 pelo cantor e compositor Djavan.
Muita gente fala que essa composição não tem sentido algum. Então quero provar que não é bem assim.
Mesmo sem tocar no aspecto da beleza musical, melódica e no primoroso arranjo da segunda música do lado B do álbum Luz (um dos melhores da obra de Djavan, na minha opinião), é fácil falar sobre a riqueza dessa música em geral e sobretudo no quesito literário. Ela tem ritmo e genialidade (além de sentido é claro) num texto apurado nas entrelinhas que chama o leitor a embarcar na busca de sentidos e sentimentos puros que existem no interior da gente. Basta ouvi-la com atenção e relaxamento. A primeira frase é:
"Solidão de manhã",
frase simples e direta, anunciando a descrição de uma imagem carregada de sentimento e significados. depois;
"poeira tomando o assento, rajada de vento, som de assombração",
três imagens e a ação no quadro. O vento tem som de assombração e a poeira cobre o acento. Esta é a cena do ponto de visão do compositor no momento da criação;
"coração sangrando toda palavra sã",
mais uma ênfase na frase inicial sobre o espírito do autor naquela manhã de solidão em que seu coração está sangrando (mas não sangue que sai, é dor).
"A paixão, puro afã, místico clã de sereia, castelo de areia, ira de tubarão, ilusão"
várias impressões sobre a paixão, faces do poeta apaixonado, que analisa tal sentimento como frágil, ilusório, místico e que lhe causa ira. Mas
"o sol brilha por si",
No meio da dor, reflete sobre como sair. Ele encontra algo que lhe aponta uma saída, algo como o sol que tem luz própria. E fixa sua visão num objeto mais forte no cenário de um início da manhã terna e de desjejum em meio ao dia iniciando frugal.
"Açaí guardião, zum de besouro um ímã, branca é a tez da manhã"
Além do rico fruto do açai à mesa, um zum de besouro lhe chama a atenção como um ímã e ele canta esse instante de dor e beleza simultânea. Tudo para descrever uma manhã solitária e inebriada pela paixão. Assim com sutileza e criatividade a construção literária ganha personalidade, sofisticação e não se prende à forma direta e obvia de uma composição tradicional.
Lançado o Edital do CNPq para o Ano Internacional da Astronomia 2009

O Edital nº 63, para financiamento do Ano Internacional da Astronomia, acaba de ser aberto e tem seu encerramento em 17/nov. A contratação dos projetos será feita ainda neste ano. O volume de recursos é de 2 milhões de reais. As Fundações de Amparo à Pesquisa do Amazonas, Ceará, Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais, colocarão recursos adicionais específicos para seus estados.
Todas as informações necessárias para submeter os projetos encontram-se no portal de editais do CNPq (www.cnpq.br/editais) no item Edital MCT/SECIS/CNPq Nº 63/2008, onde estão todos os links relevantes para conhecimento da regras e esclarecimentos de dúvidas quanto à pertinência de candidaturas. Esses assuntos devem ser tratados diretamente com o CNPq. Note-se, por exemplo, que não é requerido o título de doutor para se coordenar um projeto, uma novidade importante deste edital.
O portal do IYA2009 (www.astronomia2009.org.br) deve ser usado para conhecimento dos programas para o Ano Internacional e nele pode-se obter suporte de conteúdo.
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